Síndrome de Stendhal


A Síndrome de Stendhal caracteriza-se pelo surgimento súbito de diversos sintomas simultâneos (vivências estranhas, por vezes acompanhadas de sintomas físicos, sensação de profunda emoção, seguida de um leve entorpecimento, desorientação têmporo-espacial momentânea, sudorese profusa e desrealização) mediante a exposição do indivíduo à contemplação de uma ou mais obras de arte.




Esta Síndrome recebeu o nome de Stendhal, pseudônimo do escritor que em 1817 foi à Florença (Itália) e ao visitar a igreja de Santa Croce foi tomado de estranha combinação de sintomas e emoções, com palpitações e tonturas. Descreveu o que sentiu assim (em dois trechos de diário da
viagem, que chamou de “Nápoles e Florença: Uma viagem de Milão a Reggio”):

Florença, 22 de janeiro de 1817: Ao chegar a Florença, meu coração batia com força... em uma curva da estrada, meu olho mergulhou na planície e percebi, de longe, como uma massa escura, Santa Maria Del Fiori e sua famosa cúpula, obra-prima de Brunelleschi. Eu me dizia:

É aqui que viveram Dante, Michelangelo, Leonardo da Vinci! Eis esta nobre cidade, a rainha da Idade Média! É nesses muros que começou a civilização”... as lembranças se comprimiam em meu coração, sentia-me sem condição de raciocinar e entregava-me à minha loucura como junto de uma mulher a quem se ama... Eu já me encontrava em uma espécie de êxtase pela idéia de estar em Florença e pela vizinhança dos grandes homens dos quais eu acabava de ver os túmulos [Michelangelo, Alfieri, Machiavel, Galileu]... Absorvido na contemplação da beleza sublime, que via de perto, eu a tocava, por assim dizer. Tinha chegado ao ponto da emoção onde se encontram as sensações celestes proporcionadas pelas belas-artes e os sentimentos passionais. Saindo de Santa Croce, meu coração batia forte, o que em Berlim chama-se "nervos"; a vida esgotara-se em mim, eu andava com medo de cair...”

Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski diante do quadro O Cristo Morto, de Hans Holbein, o jovem, num museu da Basiléia descrito por sua segunda esposa Anna Grigoriévna Sniktina, em dados biográficos e na análise do entusiasmo com que o príncipe Míschkin, personagem principal do romance O Idiota, demonstra pelo quadro, na própria descrição que Dostoiévski fez dessa obra de arte, apresentou a Síndrome de Stendhal também.
Sua esposa registrou em diário a perturbação do escritor:

"A visão do rosto inchado de Cristo após seu martírio desumano era terrível. (...) Fiodor permaneceu em pé diante do quadro com uma expressão oprimida. Olhá-lo me fazia mal, então fui para outra sala. Voltei 20 minutos depois e ele ainda estava lá, na mesma posição diante do quadro. Seu olhar exprimia medo. Levei-o para outra sala, ele se acalmou lentamente, mas insistiu ainda em tornar a ver o quadro que tanto o perturbara".



Em 1989 a psiquiatra italiana
Graziella Magherini após catalogar 106 casos de pacientes, todos eles viajantes que foram a Florença pela primeira vez, no serviço de saúde mental do Hospital de Santa Maria Nova (Florença) descreveu e nomeou esta Síndrome.

A Dra. Graziella então percebeu que uma vez exposta a obras de arte a pessoa apresenta:
  • angústia
  • confusão mental
  • senso de desagregação (despersonalização, desrealização)
  • ilusões e alucinações
  • ataques de pânico (vertigens, taquicardia, falta de ar, medo de morrer....)
É evidente que somente estão propensos à sindrome os que valorizam as artes.

E o prognóstico geralmente é bom sendo frequente a
remissão rápida, sobretudo entre os mais jovens. Entretanto, a depender dos sintomas pode levar algum tempo para haver a remissão: os que apresentaram dissociações psicóticas, idéias de perseguição ou alucinações têm sete vezes mais chance de não se recuperar rapidamente, comparados aos que tiveram apenas distúrbio afetivo ou sintomas depressivos.

Algumas pessoas chegam a pensar que estão enfartando, outras desmaiam, há as que apresentam dissociações e saem vagando pela cidade como errantes e aquelas que apresentam sintomas psicóticos chegam mesmo a tentar destruir as obras de arte.


DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

É preciso realizar diagnóstico diferencial com epilepsia pacial complexa.


BIBLIOGRAFIA
  1. AMANCIO, Edson José. Dostoevsky and Stendhal´s sydrome. Arq. Neuro-Psiquiatr. [online]. 2005, vol.63, n.4 [cited 2010-01-04], pp. 1099-1103 .
  2. A SÍNDROME DE FLORENÇA ou “SÍNDROME DE STENDHAL”
  3. Arte Perturbadora.
  4. Arte e Alucinação.

1 comentários:

ESTUDO DE DOENÇAS RARAS disse...

São Paulo recebe Segunda Caminhada de Apoio ao Paciente de Doenças Raras

Evento gratuito comemora o Dia Mundial das Doenças Raras e discute temas relacionados à desigualdade na saúde


Dia 28 de fevereiro é reconhecido internacionalmente como a data em que se mobiliza a sociedade em torno de ações em prol das doenças raras. Para comemorar, no dia 27 de fevereiro (domingo) será realizada, no Parque da Aclimação – SP –, a Segunda Caminhada de Apoio ao Paciente de Doenças Raras. Com estimativa de receber duas mil pessoas, o evento reúne governo, sociedade, universidades e empresas farmacêuticas para apoiar a melhora do bem-estar de pacientes com doenças raras e suas famílias, apoiando a pesquisa, discutindo políticas públicas e cooperação internacional e também conscientização da população em geral. Neste ano, a Caminhada aborda o tema “Desigualdade na Saúde”.

O evento acontecerá durante o dia e terá a presença de 70 associações que estarão no local com material informativo, além de atrações culturais, musicais e lúdicas, caminhadas, workshop e seminários práticos.

Em Brasília, no dia 26/02, será realizado o 1º evento relacionado ao Dia das Doenças Raras. Será uma manhã de apresentações com profissionais da área médica, pais de portadores de Neurofibromatose e pessoas relacionadas a organizações civis. O evento acontecerá no Clube da Associação dos Servidores do Banco Central – ASBAC.

Dra. Cecília Micheletti, médica pediatra e delegada brasileira da Fundação GEISER (Grupo de Enlace, Investigacion y Soporte de Enfermidades Raras de Latino América), participa da organização da Caminhada e afirma que celebrar esta data é de extrema importância. “O diagnóstico das doenças raras muitas vezes é feito tardiamente, pois o conhecimento sobre elas é pouco tanto na sociedade como na própria comunidade médica. Há pouca investigação, faltam de verbas e políticas públicas. Discutir estes aspectos é fundamental para que sejam possíveis melhorias no tratamento dessas doenças”.

São consideradas doenças raras aquelas que afetam um pequeno número de pessoas, numa frequência de 1 em cada 2 mil. Cerca de 80% dos casos são de origem genética. Já se tem conhecimento de cerca de sete mil doenças raras que afetam de seis a oito por cento da população mundial. A Dra. Cecília Micheletti acredita que o grande desafio é alcançar a igualdade no atendimento. “Nós não temos na rede pública nem mesmo a regulamentação do médico geneticista, o que dificulta o diagnóstico e, por consequência, o tratamento. Muitas vezes até mesmo o profissional de saúde não tem informações sobre algumas dessas enfermidades”.

A organização do evento é do GEDR – Grupo de Estudos de Doenças Raras – e do Instituto Canguru, com apoio da ABG (Aliança Brasileira de Genética), da SBGM (Sociedade Brasileira de Genética Médica) do Fórum Estadual de Patologias, da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, da Eurordis e da Fundação GEISER (Grupo de Enlace, Investigacion y Soporte de Enfermedades Raras de Latino América).

Segunda Caminhada de Apoio ao Paciente de Doenças Raras
Data: 27 de fevereiro de 2011
Local: Parque da Aclimação – Rua Muniz de Souza, 1119
Início da concentração: 8h
Mais informações:
http://www.institutocanguru.org.br/
http://www.estudandoraras.blogspot.com
estudandoraras@hotmail.com

Assessoria de Imprensa:
Ana Domingues
(11) 8012-8628

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